Ainda há quem leia na praça. Há quem leia enquanto espera. Quem leia simplesmente. E espere. Final de manhã, chove-não-chove, pracinha no centro da cidade, tempos apressados e a menina com seu livro. Alheia ao vai-e-vem, a quem olha para ela, a quem se admira com alguém lendo, ao barulho dos coletivos. Olhos correm pelas linhas, apertam para reler e entender, buscam um ponto de fuga, conferem algo fora da página. Chegou não. Continua a leitura. Roidinha na unha. Foto ampliada, suspiro de crônica abatido pelo título revelado: Enquanto o amor não vem. Mas resta uma esperança. Para quem escreve; não para quem lê. No instante seguinte, a menina levanta e caminha solitária. Se ficou esperando o amor, cansou. Talvez chegue no próximo livro.
Mas talvez ela não tenha ficado esperando o amor — ela o levou consigo, entre capas.





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